… AH, BENDITA LINGUÁGI!

Por José Carlos Gonçalves

HISTORIETA DE MEU AGRADO XII (… ah, bendita linguági!)

Como trabalho com a linguagem, há muito tempo, “já diviria tá acustumado cum argumas situaçõis”, que tenho que enfrentar de vez em quando.

Há alguns dias, em uma conversa “com um velho cunhicido”, lhe disse que iria pra casa, porque “tava na hora de imitar morto. Pra quê?!” Fui veementemente repreendido. “Tu quê brincá cum a môrti?!”

A verve de meu interlocutor foi tamanha qui mi abalô. Fiquei sem jeito e demorei um bocado para me recuperar.

E, ainda ressabiado, “li disse qui, cum ‘lucrécia”, eu brinco sem medo. E, “pra quebrar o gelo, fui buscar um chasco”, que nos divertiu muito, em nossa ingenuidade, e lhe perguntei, “só de mal”, ao perceber que não sabia o que é “uma brincadeirinha”. E, sem rodeio, “mandei bala. Tu brinca cum’eo brinco?!”

E o cúmulo do cúmulo era achar, em nossa infância, que essa expressão era uma grande e absurda ofensa, quando, hoje, as TVs, os shows, os cinemas e a internet, descaradamente, sem pudor, nos incentivam “a não só brincar, mas dar brincos, anéis, pulseiras, colares” … e outras coisitas mais, tão escondidas e proibidas de se mencionar, que, até de se falar, causam arrepios.

Mas, voltemos. “Como um baxadêro da gema”, como eu, pode ter medo de algo, se “sempre foi um sujeito forte, casca dura, côro grosso, sem medida”.

Um sofrente com a água distante e salobra. “Com tosse braba, puxamento, papeira, sarampo, ispinhela caída, arca aberta, frieira, bicho no pé, barriga d’água”. E, se não tomasse cuidado, “corria o risco de acordá atarantado, pegá um vento, tê uma congestão, sofrê di andaço i di cobrêro … e mais uma centena e uma ziquiziras”.

Aí, nessa vibe, “querê imitá môrto” é até uma expressão de parcos centavos, “uma simples brincadeirinha, qui si num mata ingorda!

E a “lucrécia’, qui si imbrenhe pô ôtas vereda! Vá brincá cum a curacanga, lá, pras banda do Têso du Fôgo! Cruzincrêdo! Tá ripriindido!”

E, meu santinho Santo Inácio de Loiola, “mi livrai di todo malaméim!”

José dos Santos, Amor § Gratidão

Por Ana Creusa

Quem conheceu José dos Santos sabe que ele não era um ser humano comum. Alguns dizem que, pessoas como ele, nascem de cem em cem anos. Eu, porém, os afirmo: ele foi e será único. Não como todos nós somos, mas pela sua história e trajetória de vida. Tudo parece ter sido meticulosamente planejado, cada evento, cada experiência que ele viveu.

Ciente da singularidade desse ser humano, não podemos deixar morrer a sua história e não basta a passagem verbal de pais para filhos e netos. É necessário que se deixe registros definitivos de sua passagem entre nós.

Foi com esse espírito de missão que me aventurei em registrar parte da experiência marcante que tive com meu pai, desde a minha infância, até sua morte aos 95 anos.

Lembrando da história do meu pai, comparo-a aos pais de figuras famosos da literatura como a que relata Frank Kafka, em sua memorável Carta ao Pai, a qual retrata o devastador acerto de contas com a figura tirânica de seu pai. Também, na obra Ribamar de José Castello que relembra os momentos terminais de seu pai, e declara: “Não vou adoçar nada: seu corpo, murcho e disforme, me enoja”. Também ouvi relatos de amigos que relembram seus pais pela dureza, com surras cruéis e totalmente injustas.

Papai era o oposto disso, como relatado no prefácio por seu neto José Sodré Ferreira Neto, ele educava pelo exemplo com mansidão e amor. Ele sempre fora assim, não apenas quando ganhou experiência pela idade, como era de se supor. Suas atitudes, gestos e palavras pareciam ser sempre meticulosamente planejadas. Era possuidor de uma inteligência rara, que lhe permitia um humor respeitoso e extremamente engaçado.

Possuía sorriso fácil, era extremante dócil. Porém, todos lhe dispensavam um respeito comovente. Todos pareciam querer agradá-lo em suas preferências. Era sempre muito gratificante servi-lo. Atender às suas vontades. Ele possuía uma aura de luz que irradiava naqueles que dele se aproximavam.

Meu pai era um ser humano perfeito. Até aquilo que poderia ser considerado defeito para alguns, para nós era um charme, um elemento diferenciador de sua personalidade marcada pela ternura, sabedoria e sensibilidade.

José dos Santos é natural de Palmeirândia, terra de seus pais. Foi criado no Povoado Cametá, no Sítio Jurema – Peri-Mirim/MA, nasceu eu 02/02/1922, filho de Ricardina Santos e Máximo Almeida, o nome do seu pai não consta no seu registro de nascimento, pois seus pais não eram casados. Sua mãe era negra e seu pai, louro de olhos azuis. Pelos padrões da época, não havia casamento entre essas raças.

Na época predominava os bailes separados pela cor da pele. José na adolescência, apesar de não ser negro, geralmente, sofria resistência para entrar nos “bailes dos brancos”, por ser filho de Ricardina.

Sua mãe teve oito filhos, mas faleceu muito jovem, quando José tinha apenas 18 anos. Na época, sua mãe não tinha nenhum companheiro – criava os filhos sozinha.

Homem de poucas letras, estudou apenas três meses. Naquela época não tinha escolas, os professores eram contratados pelos fazendeiros para educar apenas os seus filhos. João Guilherme e Mariana Martins contrataram uma professora para ensinar seus filhos e Ricardina pediu para que os amigos deixassem seus filhos maiorzinhos estudarem na casa deles.

Após três meses José já sabia ler e rabiscar algumas letras. A professora mandou comprar-lhe livro de 2.º Ano, porém, a professora teve que ir embora, por se envolver em um triângulo amoroso que contrariava a vontade dos patrões.

A professora pediu a Santoca (alcunha da mãe de José), para que levasse José consigo, para que ele pudesse aprender mais. Mas a mãe não podia deixar: José era seu filho mais velho e já lhe ajudava nas tarefas da vida.

Sem a professora, mas com o Livro de 2.º Ano nas mãos, José leu e releu o livro. Memorizou todas as lições, que mais tarde viria a contar para seus filhos e netos: ele sabia os afluentes da margem direita e esquerda do Rio Amazonas e várias lições como: “Vá e entrega-se ao vício da embriaguez” e tantas outras que contaremos neste livro.

Antes de falecer, Ricardina pediu a José e Maria Santos que cuidassem dos seus irmãos. O irmão mais novo, Manoel Santos, tinha apenas 2 (dois) anos de idade.

Os filhos de Ricardina são: 1) Joelzila; 2) Maria Santos; 3) José dos Santos; 4) João Pedro; 5) Alípio; 6) Antônio; 7) Izidorio e 8) Manoel. Destes, apenas João Pedro ainda está vivo.

José tinha muitos sonhos, o mais forte deles era servir a Pátria Amada. Ele gostaria de seguir a carreira militar no Exército Brasileiro e tocar clarinete na Orquestra do Exército, mas com a missão de continuar a criação dos seus irmãos, não pôde realizar esse sonho.

Com esse sonho ainda vivo, José estimulou os seus irmãos a servir o Exército, Alípio e Antônio engajaram na Polícia Militar (PM) do Maranhão. Antônio foi destacado para o município de Coelho Neto, para dar segurança à família Duque Bacelar e depois deixou a PM e por lá casou-se e tive seus filhos.

Alípio permaneceu na PM, galgando a maior posição que um Praça pode alcançar, cargo em que se reformou.

José e Maria Santos criaram seus irmãos com princípios e valores sólidos: todos lhe tomavam a bênção e lhes deviam respeito. Os irmãos homens tinham o hábito de somente sentar-se à mesa na cabeceira, mas quando Zé Santos os visitava, na hora das refeições, todos eles cediam o lugar da cabeceira da mesa para José, que comandava a Família do irmão naquele momento solene, sempre antecedido de orações. Pode-se ver que José cumpriu muito bem a missão que a sua mãe lhe confiou.

José na mocidade, cumpre registrar, era um jovem simpático, forte e musculoso, campeão de cana-de-braço, amansador de burro bravo, pé de valsa, brincante de bumba-meu-boi, comparecia às festas com terno de linho belga “arvo”[1], sapatos de couro, sorriso fácil, era muito cobiçado pelas moças do lugar.

José começou a namorar uma moça, filha do fazendeiro Benvindo Mariano Martins. Ela é Maria Amélia, sabia ler, escrever, fazer belas costuras e bordados e tinha um belo jardim, que costumava cuidar no final da tarde, quando Zé Santos já saía do trabalho e por ali conversavam.

Casaram-se e tiveram muitos filhos: 1) Francisco Xavier; 2) Ademir de Jesus (in memoriam); 3) Cleonice; 4) Edmílson José; 5) Ricardina; 6) Ademir; 7) Maria do Nascimento; 8) Ana Creusa; 9) Ana Cléres; 10) José Maria e 11) Carlos Magno (in memoriam).

José era um exímio educador, pois educava com amor, carinho e, principalmente pelo exemplo, pois era líder comunitário em Peri-Mirim, juntamente com Pedro Martins. José Santos era um homem de Fé.

Antes de falecer, José ainda queria realizar um sonho: construir uma casinha no exato lugar onde fora criado (na Jurema), para que fosse celebrado o seu aniversário, com uma missa em homenagem à sua mãe Ricardina. Ele realizou esse sonho como idealizou, aos seus 94 (noventa e quatro) anos.

Também idealizou que uma vez por ano fosse feita uma reunião na Comunidade de Cametá, na casa que construiu para homenagear a sua mãe, para que todos se reunissem para celebrar a união e gratidão pelas pessoas do lugar.

José faleceu antes que fosse realizada a 1.ª Ação de Graças que idealizou para que fosse realizado todo ano no último sábado do mês de julho. No dia 29 de julho de 2017 foi realizada a 1.ª Ação de Graças na Jurema; a 2.ª em 28 de julho de 2018; a 3.ª em 27 de julho de 2019 e 4.ª em 20 de novembro de 2021; a 5.ª em 19 de novembro de 2022; 6.ª em 14 de outubro de 2023; 7.ª 16 de novembro de 2024; 8ª em 20 de setembro de 2025 e a 9.ª está marcada para 19 de setembro de 2026.

José dos Santos era um líder, um educador nato, possuidor de uma inteligência ímpar, um homem digno, que mereceu entrar para a imortalidade ao ser escolhido para ser um dos patronos da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), para que sua história seja contada às futuras gerações – foi um homem exemplar, motivo de orgulho para toda a sua descendência.

José dos Santos sempre pregou a União, vivia na graça, era um Homem Feliz, faleceu no dia 25 de fevereiro de 2017, aos 95 (noventa e cinco) anos, em São Luís, onde está sepultado juntamente com seu filho mais novo, Carlos Magno.

[1] Refere-se à cor branca.


SANTOS, Ana Creusa Martins dos. Cem Anos de Gratidão. São Luís. Fort Gráfica, 2022, 19.

Meu pai, meu herói e protetor!

Por Ana Creusa

Era noite de quinta-feira, 9 de agosto de 1959. A lua despontou no horizonte indicando que a lua nova se despedira, com a chegada do quarto crescente. O satélite brilhava sobre a noite escura, colocando à mostra a paisagem do campo fatigado pelo sol escaldante do dia anterior, típico do verão da Baixada Maranhense.

Usando sua canoa como transporte, levava próximo a si uma criança recém-nascida, envolta em cueiros macios, dentro de um cofo, que a protegia do sereno, permitindo que aquele corpinho quase sem vida conseguisse sorver o ar puro.

Procurou não pensar em nada. Mas a imagem da mãe daquela infante, que ficara aos prantos, ainda na convalescência de um parto complicado, não lhe saía da mente.

A criança estava sem forças para sorver as gotículas do leite materno, decerto, não resistiria àquela noite fria sem se alimentar.

O pai lembrava do seu primeiro filho[1], o qual viu andar e falar, mas com relação àquela filha, não teria esse direito, vez que, contava com apenas treze dias de nascida e já estava doente de morte.

As palavras da esposa, antes de ele sair de casa, martelava em sua cabeça:

– Você me prometeu que minha filha me daria muitas alegrias[2], veja como ela está, não passa desta noite!

– Acalme-se, minha velha, dizia o pai.

Em um ímpeto, preparou tudo e seguiu viagem. Iria à casa do tenente Floriano Mendes[3], na fazenda Boa Vista, do outro lado do campo. Na saída disse à sua esposa:

– Reza para que ela chegue viva na casa de Floriano. Aquele homem é um gênio e há de salvar nossa filha.

Depois de meia hora, forquilhando a canoa com todo vigor dos seus braços fortes, apenas tomando cuidado para que o banzeiro não molhasse a pequena. Falou algumas vezes:

– Aguente firme, minha filha. Vou procurar remédio para você.

Chegou ao pequeno porto de canoas. A curiosidade sobre a vida ou morte da menina era tanta que mal atracou e foi ver se ela ainda respirava. Percebeu que sim.

Pegou aquela “coisinha” nas mãos e caminhou até a casa do tenente – já deveria passar das vinte horas; tudo apagado. Nenhum petromax aceso. Concluiu que já dormiam.

Aproximou-se da casa e falou:

– Floriano, sou eu, José Santos. Vim com uma filha doente.

Logo uma luz se acendeu e aquele homem alto e magro, apareceu com um ar de surpresa. Olhou ao lado e perguntou:

– Por que você não trouxe sua filha?

José estendeu o braço direito e mostrou a criança que cabia em sua mão. Com a luz da lanterna, percebeu que a criança estava de coloração roxa.

Floriano olhou. Pegou a criança. Disse que o caso era difícil. Exibiu um vidrinho com um líquido e colocou na boca da criança. Logo depois ela chorou, parecia um gemido de dor.

Ele pegou um óleo e passou no peito da criança, que depois se pôde ver a fraca respiração.

Aviou uma receita e despachou o pai.

– Vá, quando você chegar, ela vai estar ainda melhor. Ela está em crise de asma.

Continue ministrando o remédio que ela vai melhorar. Mas, saiba que asma não tem cura e que ela vai ainda dar muito trabalho.

A mãe que já havia chorado muito. Quebrou o resguardo de vez, pois já estava no sereno aguardando a chegada do marido que disse:

– Ela está viva! O tenente salvou nossa filha. Ele disse que ela teve uma crise asmática, já está bem melhor. Está aqui sua filha Ana Creusa, ela ainda vai comer muito pirão.

E assim cresci ouvindo essa história de Amor que me ligaria para sempre ao meu pai – meu herói e protetor.


[1] Ademir de Jesus, o primeiro filho do casal, faleceu com 1 ano e 7 meses de doença desconhecida que, mais tarde, soube-se que se tratava de Difteria (crupe).  A partir desse evento traumatizante, a família ficava aflita quando algum filho adoecia (CVA, 2006).

[2] Contava papai que quando mamãe estava no início da gravidez ficou muito triste “como iria criar mais um filho com toda dificuldade que viviam; em consolo papai dizia: – te conforma, minha velha, essa criança vai te dar muitas alegrias.

[3] “Floriano Mendes era enfermeiro e, na ausência de médicos, exercia os seus préstimos para curar quem o procurava”. (Francisco Viegas. Curiosidades Históricas de Peri-Mirim, 2020, p. 166).

Leia mais sobre José dos Santos

OBS: Esse relato está no Prólogo do livro: Cem Anos de Gratidão, de Ana Creusa.

Foto de destaque: José dos Santos e seu filho Carlos Magno, ambos in memoriam.

Baixada Maranhense: (… gotícula de História II)

Por José Carlos Gonçalves

HISTORIETA DE MEU AGRADO XI (… gotícula de História II).

… a aventurosa e sacrificante odisseia do viajante baixadeiro não se encerrava na busca pela embarcação ou até o embarque, o que já era o bastante, a acabar com o seu emocional.

Aventura, mesmo e de direito, começava ao adentrar o barco, “intupetado di gênti, misturada” com porcos, bodes, galinhas … a exalar os seus fortes odores, juntados com o bodum de cada um, confinado naquele espaço, mais povoado “que ninho de tucanguira!”

E, se isso não bastasse, se acrescentava a náusea, provocada pelo enjoativo balanço, revirando dos mais fracos aos mais fortes estômagos, “que queriam sair pela boca”, a provocar gofadas e vômitos.

E não parava por aí. O calor insuportável imperava no acanhado ambiente, castigado pelo cheiro nauseabundo, que brotava, silencioso e sufocante. Do “balaio”, de cada um, a pulular de todas as direções, em uma liberação de “cheiros, represados na providencial latinha”, aos odores da comida, a ferventar no fogão, do barco, e a se espalhar em uma vaporosa nuvenzinha, debochante da fraqueza humana.

Do choro intermitente de crianças, desesperadas, ante o desconhecido, “ao aperto” de não ter um simples banheiro à disposição. E, realmente, se apertava até passar do limite do tolerável, em uma hercúlea façanha. Do ranger das redes esticadas, “uma pur riba da ôta”, a fazer o fundo musical do vai e vem, provocado pelas vagas, que nunca se cansavam de jogar o barco, como se fosse de papel, solto, por moleques, nas enxurradas das chuvas de maio, só para ver até onde aguentava e poder vibrar com o seu soçobramento.

Em alguns momentos, a dependência da maré e do vento era predominante. E a viagem se arrastava com o humor do tempo. Vagaroso e debochado.
“Só muita precisão” ou vontade de “ser batizado”, para ir à Ilha. Ou para negociar ou para conhecê-la.

Triste é que o tempo pode, ou não, voar e “a poupança Bamerindus ‘não’ continua numa boa”, a verdade é que a Baixada continua a sofrer das mesmas mazelas, que comprometem o deslocamento, decente e civilizado.

E a pergunta, que teima e não quer calar. “Será se ‘as cabeças de bufa’ tão interradas nos caminhos e nos leitos dos rios?! Ou avoam sobre as cucas dos baixadeiros?!” Mistérios!!!

A Baixada não sai do atraso, porque é cômodo. Um celeiro de votos mudos, cegos e surdos!
Que o meu santinho Santo Inácio de Loiola tenha piedade de nós!!!

Peri-Mirim: ADEMAR PEIXOTO ALMEIDA

Ademar Peixoto Almeida nasceu em 08 de abril de 1912 no bairro da Matriz – Pinheiro do Estado do Maranhão, filho de Vicente Lauro Almeida, natural de Mirinzal Maranhão e Zirza Debora Peixoto Almeida, natural de Pinheiro Maranhão, teve apenas   02 irmãos Astor e Nice.

Aos 20 anos, mudou-se para as Cabeceiras, hoje o município de Bequimão Maranhão, a fim de trabalhar como Caixeiro no comércio de um português denominado Senhor Campos. Mais tarde levou seu irmão  Astor para ser Guarda-livros do Comércio do Senhor Campos.

Após anos de trabalho, juntou um pouco de dinheiro, conheceu o Senhor Raimundo Magalhães  Ramalho conhecido com Nhô-Nhô Ramalho, dono das terras de Monte Alegre, Ariquipá. Nhô-Nhô, senhor de muita posse, radicado em Araquipá ,com Engenho de Açucar, cachaça e criação de gado. Tornou-se muito amigo  do Senhor Nhô-Nhô, conversando, Ademar demonstrou o interesse de colocar um comércio no interior de  Cabeceiras, então, o Senhor Nhô Nhô ofereceu um local em Monte Alegre exatamente naquele  mangueiral, instalou seu primeiro comércio, ficando um bom tempo.

Posteriormente, como queria ficar mais próximo da sua mãe em Pinheiro. Como para se deslocar para Pinheiro passava em Pericumanzinho, do município de Macapá ,hoje município de Peri-Mirim, encontrou um terreno na beira do campo,  como desejava iniciar criação de gado  comprou e transferiu o seu comércio para Pericumanzinho, onde se  instalou, porque já estava mais próximo de Pinheiro e também para da inicio à sua criação de gado.

Estabilizado na vida, Ademar encontrou a Sra. Almira Nogueira Ferreira, natural de Pericumanzinho  e formou sua família e tiveram 06 (seis) filhos: Adelmira, Verlande, Aldesira, Astor, Ademar e Nice.

Em  24 de janeiro de 1954, a Sra Almira veio a óbito em decorrência do parto da sua última filha. Como todos filhos ainda  eram pequenos, sua irmã Nice casada com Dr. Hélio João da Costa residente em Pinheiro, levou todos seus filhos para terminar de criar e ele sempre dando o apoio necessário de um bom pai.

Ademar teve ainda dois filhos antes da união com a Sra. Almira: Cleonice, em Pinheiro e Walter em Cabeceira. hoje Bequimão que foram criados por sua mãe.

Após dois anos de viuvez, Ademar formou outra família com a Sra. Sebastiana Gonçalves, com quem teve mais 10 filhos: Maria de Fatima, João do Carmo, Maria Rita, Raimundo, Vicente, Maria Batista, Manoel, José de Ribamar, Maria de Lourdes e Antônio Maria.

Na sua vida particular foi um homem trabalhador e cumpridor de suas obrigações, amigo de todos que trabalhavam com ele e com a população daquela região.  O comércio era muito grande, com muitos aviados que ele surtia as barracas para receber o babaçu em troca, que posteriormente levava em carro de boi ou nas costas dos animais para Pinheiro, onde ele negociava com a Organização Comercial Albino Paiva Ltda., ainda  surtia seu comércio  em São Luís com as Firma Batista Nunes e Moreira Sobrinho.

Importante lembrar que, no final da tarde o comércio parecia uma festa de tantas quebradeiras de coco que iam levar seus produtos para vender e comprar o sabão, açúcar , peixe seco, café o fumo, querosene e os tecidos para fazer suas roupas.

Ademar tinha muitos afilhados e compadres. Na sexta-feira Santa era um dia de festa, todos os filhos e afilhados vinham tomar a benção e passar o dia com ele, era um grande banquete muita torta de camarão, tainha frita, cuxá, vatapá e bacalhau norueguês e de sobremesa doce de leite e doce goiaba com queijo.

Na política, foi Vereador. Por amizade com General Artur Teixeira de Carvalho, foi indicado para concorrer à Prefeitura de Peri-Mirim, tendo como Vice Pedro Martins que eram  amigo e compadre. Venceu as eleições e seu mandato foi de 1970 a 1972 apenas 3 anos chamado mandato tampão.

Após o término do mandato retornou para Pinheiro, sua terra natal, ainda viveu muitos anos, como foi acometido de AVC foi para São Luís em tratamento de saúde, não resistiu e veio a óbito em 15 de agosto de 1996 na Santa Casa de Misericórdia e seu sepultamento no Parque da Saudade em São Luís.

Dados e fotos fornecidos por Aldesira Peixoto.

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo

O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo é celebrado em 28 de janeiro, instituído pela Lei 12.064/2009 em memória da “Chacina de Unaí” (2004), onde quatro servidores do Ministério do Trabalho foram assassinados.

A data visa conscientizar sobre a persistência de condições degradantes, jornadas exaustivas e servidão por dívida no Brasil, unindo fiscalização e direitos humanos. As vítimas foram os auditores-fiscais Nelson José da Silva, João Batista Lage, Eratóstenes de Almeida Gonçalves e ao motorista Aílton Pereira de Oliveira, mortos em serviço.

Segundo Bruna Feitosa Serra de Araújo na tese de Doutorado em Ciências Sociais e Humanas, o Prêmio Fapema 2022 foi entregue a , doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da UFMA: “A manutenção da escravidão moderna no Maranhão possui raízes fortes em uma cultura que tolerou tal prática durante séculos, somadas à impunidade, falta de qualificação e isolamento geográfico que favorecem a conduta em determinadas regiões”.

Peri-Mirim: ALCAP prepara-se para participar do festejo de São Sebastião de 2026

A Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP) participará hoje (18 de janeiro de 2026), a convite da Paróquia de Peri-Mirim, do festejo ao glorioso São Sebastião, padroeiro do município de Peri-Mirim/MA.

O festejo deste ano terá como tema: “Com São Sebastião, somos uma Igreja Missionária“, pois, a vida de São Sebastião inspira perseverança na fé e a renovação espiritual, sendo um sinal de esperança e união da Igreja. 

O festejo teve início no dia 11 de janeiro e a culminância do evento ocorrerá no dia 20 do mesmo mês. Foi designado o dia 18 para exposição da ALCAP, a partir das 19 horas, na Praça da Igreja da Matriz.

Os noitantes do dia 18/01/2026 são: Pastoral do Dízimo, Aposentados, Comerciantes e ALCAP. Todos estão convidados a participar dessa noite de festejos e orações.

Fórum da Baixada divulga Nota de Pesar pelo Falecimento de Chico Gomes

O Fórum em Defesa da Baixada manifesta profundo pesar pelo falecimento do ex-deputado Chico Gomes, cuja trajetória pública se confunde com a história de lutas e de compromissos firmes com o desenvolvimento da Baixada Maranhense.

Chico Gomes construiu, ao longo de sua vida política, um legado marcado pela defesa intransigente dos interesses do povo baixadeiro, pela dedicação às causas sociais e pela atuação perseverante em favor de políticas públicas capazes de promover inclusão, infraestrutura e dignidade para a região.

O Fórum reconhece, com respeito e gratidão, a contribuição de Chico Gomes para o fortalecimento da identidade política da Baixada e para a afirmação de suas demandas no cenário estadual, registrando que sua memória permanecerá como referência de serviço público e de compromisso com o bem comum.

O Fórum em Defesa da Baixada presta solidariedade aos familiares, amigos e admiradores, ao tempo em que rende homenagem a um homem público que deixa como herança um legado de lutas, trabalho e amor pela Baixada Maranhense.

PRESIDÊNCIA DO FÓRUM em nome de todos os forenses.

… AS BELEZURAS SEMÂNTICAS

Por Zé Carlos Gonçalves

Vejo-me atraído, mais uma vez, pelas belezas semânticas e fonológicas, que nos cercam e, muitas vezes, “não são enxergadas”. Mas é algo, que me chama e que, poeticamente, me atiça.

E essas riquezas, que invadem e fortalecem o ato criativo, podem ser provadas até com “uma palavrinha”, que achamos comum, sem charme, que não recebe o seu devido valor. Como, por exemplo, a palavra do nosso cotidiano, que “quase ninguém liga. ‘DORMIU”. E não duvidem, que ela se desdobrará e surpreenderá.

Afinal, não é todo dia que posso dizer que “alguém DURMIU no ponto”. E, aí, fica a critério de cada leitor. Se dormiu no ponto de ônibus ou foi solenemente engabelado.

E, como não ficará somente nessa situação acima, vamos vê-la em uma providencial e sábia reprimenda, ao desenfreado desperdício de energia, em tempo de contas astronômicas e inexplicáveis. “Por que a luz DURMIU acesa?!” Em perfeita confirmação de que precisamos cuidar melhor de nossas minguadas e tão combalidas finanças.

E, como nossa palavra não cochila no ponto, a exaltação do paradoxo se impõe em uma sentença, que dá nó no cerebelo. “DURMIU acordado!” E, para se glorificar, não abrindo mão da exaltação, só mesmo assumindo a feroz redundância, que não se deixa enganar por alguma dúvida. “Agora, DURMIU durmino, pra valê”.

E, sem se fazer de rogada, traz o indivíduo, entronado em tanta esperteza ou em tanta ingenuidade, para não dizer algo pior. “Feiz qui DURMIU, pra cumê u .. du bêbo, ou DURMIU em cima da riqueza ou DURMIU muito, que perdeu a chance”.

E a candura, também, tem vez com nossa palavrinha. E tantas emoções desperta. “DURMIU feito um anjinho!” Em uma cena da mais pura maternidade e carinho.

E, no universo amoroso, causa ciúmes, “ao hiperbolizar a inveja” de quem nunca teve a sorte e o prazer de desfrutar de tão terna e saborosa sinestesia. “DORMIU no doce beiço da morena”.

E, de verdade, se transmuda em insinuações metafóricas, para estabelecer o terror, que abalará os mais sisudos alicerces, ao sentenciar o mais temível de se ouvir. “DURMIU virado no cão, DURMIU como um corisco, DURMIU doidinho de raiva, DURMIU bufando”.

E, para não perder a viagem, vem em tremendas antítese e ironia, quando quer zombar, sem pudor algum, centrada em ditos dos melhores. “DURMIU rico, e acordou pobre”; e “DURMIU herói, e acordou bandido”.

E, como quero criar uma sadia brincadeira, vou aguçar a criatividade de vocês, para se manifestarem sobre algumas sentenças, que merecem ser contextualizadas. “DORMIU de maduro, DORMIU a tarde inteira, DORMIU, que se babou todo, DORMIU roncando, DORMIU no braço de Morfeu, DORMIU debochando da gente, DORMIU mole … de tanto brincar, DORMIU ao relento, DORMIU desassossegado, DORMIU inocente, DORMIU no mijado” … E espero as interações …

E, num rasgo de cinismo, tão cruel quanto vergonhoso, ao dar um íntimo flagrante, que devia ser respeitado, o malogrado indivíduo sai “a matraquear”, atestando a sua pequenez e o seu mau-caratismo. “Ela DURMIU arreganhada!”

E, “seim isquecê u bindito baixadês”, me delicio com “a nossa simpleza”, que sem alguma preocupação “sortamo: DRURMIU cum u cagá dus pinto”.
E, para finalizar, nada melhor de que “a despedida final” caiba em fúnebres e não desejados eufemismos. “DURMIU com o sorriso da morte ou DURMIU como um condenado ou DURMIU pra sempre!”

O certo, mesmo, é que “DURMIU o recém velho ano”; e espero, de verdade, que ninguém “DURMIU” com o meu texto!!! Ou “DURMIU”?!

PERI-MIRIM: A ALCAP torna público o resultado parcial da eleição de novos membros

COMUNICADO Nº 01 – ALCAP
A Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes Perimiriense (ALCAP), no uso de suas atribuições estatutárias, torna público o resultado parcial da eleição realizada nos termos do Edital nº 02, destinada à escolha de novos membros.

Na apuração ocorrida até o encerramento da sessão, foram declarados eleitos:

  • Lourivaldo Diniz Ribeiro – Peri Mirim/MA – Cadeira nº 01, Patrona: Naisa Ferreira Amorim;
  • Taliane de Jesus Corrêa Gonçalves – Peri Mirim/MA – Cadeira nº 05, Patrono: Ignácio de Sá Mendes e
  • Márcio Mateus Câmara – Peri-Mirim/MA – Cadeira nº 38, Patrono: Fernando Ribamar Lobato Viana.

O presente resultado tem caráter definitivo, nos termos do Edital nº 02.